A Revista Clix, que eu não conhecia, e se mostrou uma publicação muito bacana, está em sua terceira edição e para comemorar o assunto da capa, a fotografia de nu como forma de expressão, organizou um evento gratuito sobre o tema em São Paulo e batizou a empreitada de Conexão Clix. Quanto li a notícia no Fotosite fiquei muito interessado. Primeiro, porque os participantes que iriam falar na noite eram pessoas conhecidas no meio fotográfico nacional e o segundo fator importante era que seria de grátis. Mas, isso também fez soar o sentido de aranha. Muita esmola, o santo desconfia. Mas, mesmo assim, venci toda minha resistência em viajar para a capital e me coloquei em um ônibus para encarar os 630km que separam minha cidade da capital paulistana.
O evento aconteceu na quinta-feira, dia 16 de abril. Como cheguei a cidade na parte da manhã, e o Conexão Clix iria começar apenas às 18:00h, aproveitei para visitar a Feira Fotografe 2009, que estava acontecendo no centro de eventos do Shopping Frei Caneca. O relato da feira pode ser encontrado no Meio Bit Fotografia. Mas, mesmo tendo outras coisas para aproveitar em Sampa, decidi ir cedo para o Espaço Gafanhoto, lugar escolhido para o Workshop. O motivo é o tamanho do local. Já havia participado de outros eventos no local e sabia que o espaço é muito pequeno. Cheguei as 16:00h e já havia um fotógrafo esperando. Pode parecer coisa de maluco, mas eu estava certo. Perto das 18:00h haviam mais de 200 pessoas na fila. Aberta as portas e feito os credenciamentos, o meu maior medo se concretizou. Muita gente não conseguiu entrar e dos que entraram, poucos conseguiram sentar. Problema grave de organização que fez muita gente ir embora e lotar as listas de discussão de fotografia malhando o pau na Clix por organizar mal o evento. Mas, tem muita gente falando mal porque se acha o fulano de tal e não teve a puxada de saco que achava que merecia da organização. Fotógrafo é uma raça complicada.
Rompida a barreira da entrada, houve algum atraso, alguns problemas técnicos e às 19:30 começou a primeira palestra. Armando Prado deveria falar um pouco sobre a arte do Nu Artístico na história, mas foi uma grande decepção. Ele não tinha uma apresentação montada e ficou procurando fotos pela internet para mostrar. Perda de tempo para quem viajou 600km para ver fotos da internet. Sobre a história do nu, absolutamente nada. Ou ele nunca deu uma palestra na vida ou não estava ligando para o público que estava ali. Klaus Mitteldorf foi o próximo a falar e nos trouxe um pouco da sua experiência com o nu artístico e o trabalho para a revista Playboy e publicações internacionais. Cara bem humorado e divertido que pecou apenas por também não ter uma apresentação montada. Perdeu-se muito tempo procurando imagens em sua pasta de portfólio. Por último, tivemos Thales Trigo, fotógrafo e diretor da escola Full Frame, que fez uma apresentação bacana sobre fotografia digital em geral.
Terminada a fase teórica, a programação dizia que haveria um ensaio de nu ao vivo com o Klaus Mitteldorf e que alguns dos participantes seriam convidados a fazerem um mini ensaio com a modelo. Mas, como tinha muita gente, foi determinado que essa parte seria feita na parte do fundo do Espaço Gafanhoto, ao ar livre, e usando alguns refletores de luz alógena que existiam no local. Foram sorteadas 6 pessoas para fazer as fotos. Em minha infinita falta de sorte, pensei que não seria um dos contemplados, mas dessa vez consegui estar no grupo de fotógrafos. O Klaus explicou para a galera o que ia acontecer e chamou a modelo. Por conta de direito de imagens, todos que participaram do ensaio assinaram um termo em que se comprometiam em não usar as fotos para fins comerciais e apenas publicá-las em sites com portfólios pessoais e protegidos contra cópia. Claro que na internet isso não existe, mas estou preparando uma galeria no meu site de fotos. Os outros que estavam apenas assistindo a tudo foram proibidos de fotografar.
Tudo foi muito estranho. Acho que eu estava com mais vergonha do que a modelo. Geralmente, antes de um ensaio de nu, você conversa com a modelo, discute as fotos e você delimita até onde você pode ir na hora de montar as poses. Dessa vez foi tudo na pancada. Tivemos apenas 15 minutos para fotografar e criar as poses. A modelo foi muito simpática e trabalhou bem mediante a muvuca de pessoas indo para todos os lados e pedindo para ela mudar de posição toda hora. A iluminação estava uma droga, o que exigiu trabalhar com velocidades baixas, ISO alto e diafragma bem aberto, o que diminuiu significativamente a profundidade de campo. Fiz um total de 70 fotos (bem metralhadora mesmo) e na hora da edição apenas 32 passaram por minha avaliação. O resultado, mediante todos esses problemas, foi até muito bom. Quem dera aqui no interior eu conseguisse contratar modelos para esse tipo de foto, mas a vida não é perfeita. Depois de feita as fotos, corri para a rodoviária para encarar mais 8 horas de ônibus.
Minha avaliação do evento confere uma nota 7 a tudo. Tivemos vários problemas, vários egos feridos, mas no final, para quem queria passar uma noite divertida e aprender alguma coisa, foi muito proveitosa. Conversei com vários participantes que gostaram muito do que aconteceu por lá. Fora isso, conhecemos a Flávia Lelis, editora da Revista Clix, que além de bonita é extremamente simpática. Vejam aqui uma reportagem sobre o evento que foi publicado no site Catraca Livre.