Finalmente, a celebridade mais estranha dos últimos tempos criada no Brasil, pela mídia do povão, apareceu sem roupas na revista Playboy. A Mulher Melancia (também conhecida pela alcunha de Andressa Soares) foi a estrela da edição de abril da revista masculina mais sem graça dos últimos anos. Gosto de comentar as fotos da revista Playboy, assim como gosto de comentar fotos de nu em geral, mas não são todas as Playboys que aparecem por aqui, só as que causam muita expectativa. Ao contrário de outras “celebridades” que já apareceram na capa da referida publicação, a manceba em questão não fez nada de relevante ou demonstrou talento em alguma área artística (saudades da época que mulheres do porte de Maitê Proença apareciam na publicação). A única coisa que existe no currículo da criatura é ter uma bunda gigante e fazer parte da banda mais desprezível e deprimente que surgiu dentro da tradição machista do Funk carioca. Mas, vamos falar das fotos.
A primeira coisa que chama a atenção no ensaio é a capa da publicação. Quando peguei a revista na mão já fiquei preocupado. Pode parecer implicação minha, mas a foto de capa é um tanto vulgar e já demonstra que a única coisa que podemos aproveitar de todas as 68 páginas com a garota (muita foto para pouco conteúdo) é a exploração nonsense de seu atributo traseiro. A quantidade de fotos também chamou a atenção, pois é nítida a intenção da revista em lucrar com esse novo fenômeno nacional, revertendo assim um pouco do fracasso das últimas edições.

As fotos em si também são uma decepção a parte. Todas são clichês e seguindo a velha receita de bolo da revista. Tudo muito igual e sem personalidade. Fico imaginando como um ensaio que tem a disposição um orçamento polpudo consegue ficar parecido com qualquer foto de fotógrafos que estão iniciando no nu artístico e sensual, pois ainda não desenvolveram um estilo próprio e se baseiam no que já foi produzido. Como já noticiado a exaustão pela mídia, o ensaio foi feito em três ambientes diferentes. O primeiro foi em uma laje da Favela do Catete. O cenário, em minha opinião foi sub-aproveitado, pois não temos noção de que é uma favela. Poderia ter tido uma interação com outros elementos e até com moradores do local, assim como o ensaio revolucionário de Maitê Proença (adoro essa mulher) ou da Regiane Alves. O segundo cenário foi o de uma casa noturna. Aqui tudo foi muito simples. Poderia se ter criado um personagem como no ensaio de Alessandra Negrine (claro que precisa de talento). E por último foi usado um caminhão de melancias, onde poderia ter aparecido um pouco de humor, pois é difícil ser sensual dentro de um caminhão de feira. Mas, são poucas fotos e sem inspiração.

A questão do processamento e edição de imagens já se tornou básica na Playboy. As mulheres são lixadas digitalmente até ficarem brilhando e lisas. Todas as imperfeições são subtraídas e ficamos com mulheres irreais e oníricas. No caso de Andressa Soares não foi diferente. Em alguns pontos a manipulação foi tão brutal que chega a agredir os olhos. Em outros momentos chega a ficar difícil concluir que é a mesma mulher em todas as fotos. Impossível uma mulher com esses atributos físicos não ter uma estria ou uma celulite. Mas, o povão quer ver coisa sem textura mesmo.

Sei que esse texto ficou muito critico, mas com a expectativa que foi criada e com o orçamento que a revista deve ter gasto, uma coisa bem melhor deveria ser feita. Quem sabe não se deva contratar os fotógrafos do Paparazzo que estão fazendo um trabalho muito bacana nos últimos tempos. É uma saída.